APOENA BAQUARA
Uma leitura para o trono.
domingo, 28 de outubro de 2018
domingo, 29 de abril de 2018
Ousadias sob condicional
Quantas combinações silábicas terríveis teimam em pular da boca
Denunciam nossas inseguranças
medos e preconceitos
até então bem escondidos
até então lacrados na gaiola do sorriso
O corpo solta
a mente perde o fio
começa a juntar ousadias
liberadas a noite
escondidas de dia
Outonei
de músicas infantis
suaves modelos
nítido escárnio
em terra caem
todas as minhas folhas
eu sou outono
e aguardo
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
A Busca da Mensagem Ideal
A humanidade é boa ou má? Nenhum dos dois, ela apenas é, apenas existe. Assim como não se pode caracterizar raças, animais e plantas como malignos, os humanos são apenas outros animais. Porém eles possuem uma habilidade altamente desenvolvida, a comunicação. Esta habilidade possibilita que o homem seja capaz de modificar o ambiente ao seu redor. Como? Bem, comunicando-se ele é capaz de incitar revoluções, de transmitir ódio ou amor coletivo, é capaz de realizar grandes projetos, é capaz de mudar situações arraigadas, é capaz de defender a si próprio e ao próximo, é capaz de ensinar, de evoluir. Não apenas o homem se comunica com o homem, a natureza envia mensagens, e o ser humano é capaz (talvez a única criatura) de comover-se, de perceber beleza, de considerar milagroso ou divino, de buscar respostas. A partir do momento em que o homem primitivo definiu o que era sagrado, que se perguntou sobre sua função no mundo, que começou a enterrar seus mortos, ele se tornou homem. A descoberta do sagrado foi tão relevante quanto do fogo, pois definiu o sentido de humanidade, o sentido de continuidade, o de função, a escrita, e por consequência, o registro.
Dentro de sua evolução o ser humano iniciou atividades parasitárias, as quais se tornaram nocivas para o organismo vivo maior, a Terra. Esta espécie, uma entre tantas, a primeira que começou a tomar consciência de sua função como célula de um organismo maior, adoecia seu hospedeiro. Mas isto ainda não o torna mal.
Como todas as criaturas, a humanidade possui o seu lugar, sua função no mundo, e sua capacidade de comunicação também serviu para que sua atividade parasitária fosse diminuída através de estudos e difusão de informações. Era preciso amar a terra e suas criaturas, embora a mensagem para a preservação ambiental tenha que ter sido mais egoísta exatamente para termos de impacto, o ser humano tinha que preservar seu ambiente para que prosseguisse existindo, para que sobrevivesse, os produtores de campanhas de conscientização constataram que mensagens de amor à natureza não seriam tão impactantes em uma sociedade globalmente cética.
A comunicação é a força do homem, com ela produzimos arte, conhecimento, informação, ciência, tecnologia, difundimos curas para o corpo e para a alma. Curamos também outras criaturas, e somos capazes de ajudar na geração da vida, pois sabemos como plantar a semente na terra e no útero de outros animais. Somos belos por essência, nem bons, nem maus.
Na era da comunicação, da informação aparentemente infinita, nossa missão está clara, possuímos o canal, temos agora que sermos capazes de fruir da parte certa da mensagem, até filtrarmos todas as cacofonias e pedras do texto, e sermos capazes de juntos produzirmos a “mensagem ideal”, a qual explicarei mais adiante.
Não se deve temer os canais de comunicação, não se deve temer a tecnologia, ela é aquisição de conhecimento. Esta temeridade, presente na escola conservadora, impede a fruição correta do indivíduo, desde criança, de fruir idealmente da mensagem, este fruir seria exatamente adquirir conhecimento através de qualquer tipo de mensagem, inclusive as que se pretende poupar uma criança de ter acesso.
O ruído está na própria mensagem, imperfeita por ser humana, mas por ser humana, por ser uma função de uma célula de todo o organismo maior, tem sua função, seu grau, seu ponto, sua maneira ideal de fruição. Essa fruição ideal se dá apenas através do conhecimento, da consciência expandida que contém em qualquer mensagem, é ignorar a infantilização que a mídia confere aos seus leitores, o negativo, e ser capaz de fruir. A era tem como tônica a comunicação, todos os seres estão interligados agora por uma rede “paupável” que o homem pode reconhecer como real.
A mensagem ideal é o que se pretende obter quando se escreve as leis, a Bíblia, Alcorão e outros livros sagrados, os códigos de conduta, os direitos humanos, os tratados, etc. Estes textos aproximam-se da mensagem ideal por conta de sua intenção de organizar a humanidade, de conferir função, o texto escrito com o pensamento no outro é o texto que caminha em direção da mensagem ideal.
Esta mensagem ideal seria, ou será, produzida coletivamente. Como? Tornando o ser humano capaz de fruir dela, refletir a respeito dela, argumentar, fazer contraposições, editá-la e repassá-la a outros humanos igualmente capazes que farão o mesmo exercício. Com a repetição do exercício, aconteceria a limpeza do texto, apenas o que estivesse de acordo com toda a humanidade, porém analisado individualmente (pois a massa é burra), teríamos o que chamo de mensagem ideal.
Porque tal reflexão é necessária? Tal reflexão é necessária porque a linguagem humana é composta por signos que não compreendem todo seu significado, cada ser humano tem uma concepção para cada signo de sua língua, de maneira tal que as coisas precisam ser explicadas, exemplificadas e argumentadas de maneira tal que o outro possa compreender, pela sua maior parte, o sentido daquilo que seu interlocutor diz. Se não fosse assim a mensagem ideal não precisaria nem mesmo ser explicada, seria como, por exemplo, máximas humanas: “A água é úmida”, não há discordância ou explicação.
O erro habita no descaso. Descaso de todos que produzem informação (e hoje em dias todos produzem), que, sem pensar em seu receptor, envia mensagens confusas e desnecessárias na rede. Quando a mensagem é produzida com o pensamento no próximo, por mais que ela não seja a mensagem ideal, caminha em direção à mesma. Quando a mensagem é produzida de maneira egoísta, ela apenas fornece mais poluição à mensagem, afastando a humanidade de seu objetivo implícito. Porém estes também possuem sua função, quando todos forem capazes de fruir idealmente da mensagem (e todos os homens devem pensar em ideais, para que se chegue o mais próximo dele), essas mensagens poluídas possibilitarão uma digressão, esta digressão fornecerá respostas para o próprio ser humano sobre si mesmo como essência.
O fanatismo religioso foi necessário na história como nós a compreendemos para que o homem descobrisse a existência de sua alma, o racionalismo extremo foi necessário para que o homem descobrisse sua liberdade, sua força e sua capacidade, seu movimento como ser ético, capaz de julgamento sobre si próprio, o homem livre seria capaz de livrar-se do “bezerro de ouro” da religião imposta, com regras e pecados, e assumir seu Deus interno, reconhecê-lo como paixão (pathos) e aceitá-lo como realidade (logos), para a concepção ideal do ethos, ética.
Depois de um tempo o homem teve que negar a própria força comunicativa, pois alguns homens faziam uso da mesma de maneira egoísta, de maneira a se sobrepor sobre os outros, sua hierarquização social tornava seu próximo menos ascendido socialmente como um ser vulnerável, crianças e populações menos favorecidas. Assim, os que procuravam a mensagem ideal produziram censuras, proibições, com o intuito de proteger.
Não se pode mais proteger o indivíduo da rede de comunicação como não se pode protegê-lo da necessidade do acúmulo de dinheiro para a troca dos bens com os quais acredita precisar para viver. A única maneira de proteção seria o ensino dos mecanismos da mídia. A mídia possui maneiras de se fazer penetrar na mente do indivíduo, aquele que souber quais são esses mecanismo, tornar-se-á imune à manipulação e disponível para a fruição de qualquer tipo de mensagem, de maneira livre e consciente. Sendo assim, será capaz de julgar, de exigir seus direitos, e exigir de sua mídia, que é o espelho da sociedade, outro tipo de informação, mais adequada a seres não mais infantis em suas fruições narrativas.
Como ajudar a produzir a mensagem limpa? Produzindo cuidadosamente e conscientemente, com o “coração no lugar certo”, a intenção da mensagem é que terá o efeito necessário, mais do que seu conteúdo. O texto informativo produzido com humildade, sem a formulação de sentenças prontas, julgamentos, estereótipos, sem uso de caracterizações (o perfeito prefeito, o maléfico bandido), e a admissão de que a verdade impressa no papel ou circulando na rede pode estar errada, que a verdade daquele indivíduo, por mais apaixonada que esteja, pode ser descartada, será o que mais chegará perto desta mensagem ideal.
A arte não, a arte é livre, deve ser completamente livre, pois ela é que abre portas e caminhos para essa fruição ideal do mundo, dos sentimentos internos, ela é emancipação e revolta, é mudança e denúncia, os artistas são o coração da humanidade, lembra ao homem o seu “beeing”, o seu ser/estar, e não seu bem/mal.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
A abelha
Eu me apego aos loucos 4
Eu me apego aos loucos 3
Eu me apego aos loucos
Para não correr riscos
Um louco a gente já sabe que é louco
É saudável já esperar de tudo
É saudável não esperar muito mais
É saudável ser surpreendida por eles
Os loucos que eu me apego são como professores polêmicos
Sempre vêm com umas coisas novas que te chocam
Mas isso reestrutura teu mundo
Reconstrói seu significado
Cada dia fica mais fácil aceitar que tudo que você aprendeu
Está errado
Eu me apego aos loucos 2

Eu me apego aos loucos
Não é por nada não, mas eles são tão cheios de umas verdades pequenas
Bem pequenininhas
Que os preenche imensamente
Sim, os preenche
Que delícia para aquele louco a sua verdade
Por mim, sugava as pequenas verdades de todos os loucos, engolia-as
E saia de la gorda e lustrosa de verdades
Eu me apego aos loucos
terça-feira, 24 de maio de 2011
Para que eu nunca me esqueca

Porque esta serenata eu nao encontrei em lugar nenhum
quinta-feira, 19 de maio de 2011
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Salva novamente por um pouco de poesia e filosofia

Se se pudesse dar, indefinidamente,
Mas sem, do que se deu, nada perder, em suma,
Ainda assim, muita gente
Nunca daria coisa alguma...
LXXI. DAS PENAS DE AMOR
É só por teu egoísmo impenitente
Que o sentimento se transforma em dor.
O que julgas, assim, penas de amor,
São penas de amor-próprio, simplesmente...
LXXII. DO OBJETO AMADO
Impossível que a gente haja nascido
Com os encantos que um no outro vê!
E um belo dia se descobre que
Houvera apenas um mal- entendido...
LXXIII. DA REALIDADE
O sumo bem só no ideal perdura...
Ah! quanta vez a vida nos revela
Que "a saudade da amada criatura"
É bem melhor do que a presença dela...
LXXIV. DO AMOROSO ESQUECIMENTO
Eu, agora - que desfecho! -,
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixa
De lembrar que te esqueci?
[Mario Quintana; Espelho Mágico, 1945]
Vergonha
Era uma vez uma moça que não sabia cantar
Disseram que tinha a voz muito feia
Depois disseram que ela era uma feiticeira
Acenderam uma fogueira
Se ela cantasse, ela seria de Deus
Ela não cantou
Morreu, carbonizada
Seus pais não a reclamaram, ela provara ser feiticeira
E eles não assumiriam uma filha feiticeira
São Pedro, ao recebê-la, perguntou:
Filha, por que não cantastes? Ao menos seus pais lhe reclamariam
Vergonha, Seu Santo, Vergonha.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
A arte eh um bicho saci
terça-feira, 19 de abril de 2011
Dia do indio
quinta-feira, 14 de abril de 2011
O que fazer quando o espelho grita gorda para voce?
quinta-feira, 7 de abril de 2011
O jornalista e a estrutura de poder
O Jornal Nacional
Entre as palavras mais repetidas no Jornal Nacional estão: jornal, nacional, região, área, pesquisa e correspondente. Isso demonstra dois perfis do veiculo; autoreferência e estrutura dominante de poder.
Os dois perfis se justificam, pois se complementam. A autoreferência ocorre pela necessidade de se manter existindo, veiculando e sendo escolhido entre outros veículos, a luta capitalista pela sobrevivência, o existir e enriquecer ocorre com os mais fortes, mais atualizados, mais inteligentes e com a melhor estrutura publicitária.
A condizência com a estrutura dominante do poder corresponde ao editorial, já que uma delimitação é necessária, inclusive para que o leitor possa decidir qual jornalismo consumir (hoje o jornalismo precisa decidir para que time joga). Esta concordância com a estrutura de poder é também uma estratégia de manter-se como o veículo de maior aceitação e credibilidade. Tendo o jornal tanto poder e tanta repercussão, como poderia discordar de algum presidente ou governo e ele ainda continuar em vigor? A partir do momento em que se apresentasse esquerdista, o Jornal Nacional se mostraria mais fraco, tanto para o povo, quanto para o próprio governo, pois se demonstraria incapacidade de impor suas próprias regras e ideologias. Perderia o estatuto de quarto poder regular socialmente, partiria para a militância.
Assim, quando este veículo discorda de algum governo, é uma questão de sobrevivência que sua ação tenha o máximo de relevância e seja capaz de fazer valer sua vontade.
Os jornais expõe com certa regularidade “pedaços” de sua realidade interna, seja por um processo de auto-referenciação, seja nas campanhas de marketing veiculadas nos próprios veículos de comunicação. Isso sem contar o cinema, que sempre soube retratar, com ou sem retoques, a realidade dos órgãos de imprensa [DUARTE, Jorge (org.). Assessoria de Imprensa e relacionamento com a mídia. São Paulo: Atlas, 2003, p. 105].
O trabalho jornalístico está cada vez mais braçal e menos intelectual, pois a notícia exige imediatismo e para que haja a produção de “produtos” em série, sendo estes produtos a matéria propriamente dita, faz-se necessário que se siga apenas a um padrão, a um esquema. Podemos nos remeter ao fordismo que revolucionou os meios de produção com o conceito de “time is money”, suas fábricas produziam produtos, no caso, carros, tendo peças e mecânicas semelhantes, as máquinas e seus trabalhadores possuíam funções específicas e repetitivas que permitiam que funcionasse com maior excelência e velocidade, assim potencializaram o seu modo de produção.
Tendo a imprensa como espelho da sociedade, podemos ver que seu modo de produção condiz com a necessidade capitalista moderna de vender e ser mais atraente e mais rápida. Os jornalistas aprendem métodos e linhas de pensamento para construir uma noticia factual, concreta, acessível e bem embasada.
Por exemplo, no título é sempre obrigatório um verbo de ação na voz ativa, pois é a chamada que atrai o leitor de jornal. O lead, que se faz no primeiro parágrafo, deve por excelência responder às perguntas: quem, quando, como, onde e por que. Isto acontece por conta da praticidade, a maioria dos leitores de jornal não ultrapassa o primeiro parágrafo e quanto mais atraente e sensacional for este primeiro parágrafo, e este título, maiores serão suas chances de ter a matéria lida até o final e/ou publicada na capa.
O trabalho jornalístico cada vez mais se torna publicitário, com a enorme quantidade de informação. O jornalismo, por causa disso, enfrenta o paradoxo de precisar vender produtos e serviços, mas também ser ético, corresponder a determinada ideologia e não ferir o editorial.
Uma redação não é o único lugar onde se decide o destino de determinada noticia. Entre a ocorrência de um fato e sua divulgação pela imprensa existem inúmeros canais intermediários (sociedade, Estado, igrejas, empresas, sindicatos etc.), ou outros interesses externos subjetivos (ideológicos, éticos, técnicos etc.), que influenciam na decisão final de se dar ou não uma notícia [DUARTE, Jorge (org.). Assessoria de Imprensa e relacionamento com a mídia. São Paulo: Atlas, 2003, p. 106].
Também podemos argumentar o vocabulário pela linha ideológica de democratização da informação. Por mais que o papel de educar da mídia apareça e desapareça conforme as discussões, os governos, a sociedade e a necessidade de corresponder às expectativas de seus leitores e/ou espectadores, o primeiro objetivo do jornalismo sempre foi o de operar uma ponte entre os poderes e as massas.
Temos assim, historicamente, jornalistas intelectuais, que têm por interesse provocar rupturas e epifanias em seus leitores, e jornalistas mecânicos, cujo objetivo é chegar primeiro e produzir a notícia mais interessante, completa, nova e crível, sendo que ambos profissionais podem representar facetas diferentes de uma mesma pessoa. A tendência é produzir matérias condizentes com o editorial na esperança de ganhar créditos para escrever em que realmente se acredita, em ser tomado como autoridade e conseguir “mudar o mundo”, levar a informação à população, sem perceber que, ao transmitir sua ideologia em um veículo tão grande e tão imediatista, pode-se provocar imensas falhas sociais, tornando, assim, líquido o conceito de moral, ética, sucesso, instituição etc.
O grande poder do jornalismo, colocado na balança junto a sua função perante a sociedade, sempre foi uma dificuldade na formulação do que chamamos de ética jornalística. Por muito tempo pensou-se que a matéria perfeita seria aquela completamente imparcial e buscou-se modos de fazer com que o texto exibisse apenas os fatos, sem opinião. Foi quando teve início a tendência da impessoalidade, concretismo, o uso de autoridades sobre o assunto (advogados, médicos, professores universitários), a pesquisa de opinião e a obrigatória exibição dos dois lados da notícia. Porém ao longo do tempo, este conceito caiu por terra ao notar que a simples escolha de palavras (bandido, marginal, o homem, o indivíduo, o estudante) poderia denotar um favoritismo ideológico que se apresentava inevitavelmente no texto. Desta forma, a maneira que o jornalismo encontrou de prosseguir com seu papel democratizante, ser acessível, ser concreto, ser crível e ser factual foi reduzir seu vocabulário ao máximo (usa-se com freqüência lugares comuns, principalmente no lead e na seleção dos entrevistados) e utilizar verbos que permitem poucas possibilidades de dupla interpretação, sintoma claramente apresentado nas palavras contadas no JN.
O perfil condizente do JN com a estrutura dominante, os governos e o presidente, além de sua classificação como maior autoridade quando se trata do país que governa, corresponde a um editorial, o qual por sua vez corresponde a uma estrutura ideológica. O mesmo ocorre com os veículos de “esquerda” ou que ridicularizam a estrutura de poder, estes também possuem a intenção de informar ao maior número de pessoas possível os fatos que confirmem seu editorial, ou seja, os fatos que confirmem sua estrutura ideológica. Este perfil aparece desde a escolha de quais matérias são relevantes ou não para publicação, até o enquadramento dado pelo fotógrafo a determinada imagem.
Eagleton traz uma definição de estruturas de valores que apreende as especificidades do texto individual:
A estrutura de valores, em grande parte oculta que informa e enfatiza nossas afirmações factuais, é parte do que entendemos por “ideologia”. Por ideologia quero dizer, aproximadamente, a maneira pela qual aquilo que dizemos e no que acreditamos se relaciona com a estrutura de poder e com as relações de poder da sociedade em que vivemos. Segue-se, desta grosseira definição, que nem todos os juízos e categorias subjacentes podem ser proveitosamente considerados ideológicos. (EAGLETON, Terry. Teoria da Literatura: Uma Introdução. Basil Blackwell Publisher Limited Oxford, England, 1983. p. 16)
Podemos afirmar, em consonância com Eagleton, que a ideologia não é apenas a crença que tem raízes profundas, mas sim é o “modo de sentir, avaliar, perceber e acreditar” (p. 16), coisas que vieram da sociedade, da educação individual, da cultura e se relacionam de alguma forma com a manutenção e reprodução do poder social.
sábado, 26 de março de 2011
15 minutos para sempre

Enquanto isso: Ando surpresa com meus avancos na area mais dramatica das minhas relacoes sociais
sexta-feira, 25 de março de 2011
O que li e nunca foi dito do coracao de uma amiga
domingo, 13 de março de 2011
A (craseado) visibilidade, sentir-me util.
sábado, 12 de março de 2011
Eu decorei, entao vale como expressao artistica representativa... entre outros bla bla blas

Os ogros são como cebolas
“Shrek: Pra sua informação, há mais do se imagina nos ogros.
Burro: Exemplo?
Shrek: Exemplo? Ok… Ah… Nós somos como cebolas.
Burro: Fedem?
Shrek: Sim. Não!
Burro: Oh. Fazem você chorar.
Shrek: Não.
Burro: Oh, deixa eles no sol e eles ficam marrons e soltam aqueles cabelinhos…
Shrek: Não! Camadas! As cebolas têm camadas, os ogros têm camadas. A cebola tem camadas, entendeu? Nós dois temos camadas.
Burro: Oh, vocês dois têm camadas. Oh. Sabe, nem todo mundo gosta de cebolas. Bolo! Todo mundo adora bolo! E tem camadas.
Shrek: Eu não ligo pro que todo mundo gosta! Ogros não são como bolos.
Burro: Sabe do que todo mundo gosta? Pavê! já conhecesseu alguém que você falasse ’ei, vamos comer pavê’ e ele dissesse ’céus, não gosto de pavê’? Pavê é delicioso!
Shrek: Não! Sua besta ambulante de irritação constante! os ogros são como cebola! Fim da história, bye bye, tchauzinho.”
Do filme Shrek 1
Um poema de Fernando Pessoa lido em um restaurante no Japao
Japão, 2011.
Passaporte número 4356-0, visto permanente.
Data do check-in: 4 April, 2002.
Estado civil: solteiro.
Profissão: Atendente de escritório.
Data de nascimento: 05 de julho de 1983.
Mora: sozinha.
Dependentes: não.
Animais: dois gatos.
Nacionalidade: brasileira.
Único registro em vídeo sobre sua estadia no país é o de um restaurante. Fernanda, após ter pedido para o dono do restaurante para ler um poema para, em suas palavras, “aliviar seu coração”, e ter jurado que seria rápido, fez o seguinte discurso:
Hello everybody!
My name is Fernanda Pereira , and I am from
This is not my place, this is not my language, this is not my culture
But I fell sadness and it seems like poetry
In this foraging land nobody knows me
When my birthday was important to other people, it wasn`t as important to me
As it is now that I don`t have that people to sing it happy to me
That`s why I translated a beautiful Portuguese poet that I studied at the university, Fernando Pessoa, and I want to read my translation for you
In my heart it`s tenderness to bring life and words to sorrow
I hope that bring you the energy to come back to your houses thinking that someone
In this world
Fells as lonely as you, and realize that anyone have empathy with loneliness, because everybody have it.
Here I go:
In the time the party my years,
I was happy, nobody was dead.
At the old home, even my birthday was a century tradition,
And everyone`s happiness, and mine, was certain as any religion.
In the time they party my years,
I was healthy to don’t realize anything,
To be smart among family,
And don’t have hopes that other have for me.
When I had hopes,, I didn’t knew how to have them.
When I looked to life, I missed the meaning of it.
Yes, what I was the supposition of myself,
What I was the heart and familiarship,
What I was as half land in the mid-afternoon,
What I was as loving me and me being a girl,
What I was – oh, my God! What only today I know I was…
What distance!...
(can’t find it…)
When they party my years!
O que ela afirmou ser a tradução do poema de Alberto Caeiro (Pessoa), que leu em seguida em português:
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.
Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!
Ela foi aplaudida e se retirou. Hoje a família a procura por todo o país, já fazia tempo que sumira, o tsunami devastou o local, o desespero de sua mãe, que não a tinha enterrado e não a entendia morta, apesar de desaparecida a quase um ano. Porém ela desembarcou no país na madrugada do mesmo dia, e fez a tradução da segunda parte do poema, sem linguagem, mas a roupa, e o olhar:
O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas
lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...